Há casas que registram uma época. Outras conseguem algo mais raro: seguem atuais enquanto o tempo muda ao redor. É dessa permanência viva que nasce A Casa que Dança, o ambiente com o qual o escritório curitibano Boscardin Corsi, de Ana Carolina Boscardin e Edgard Corsi, representa o Paraná na 1ª edição da Bienal de Arquitetura Brasileira.
O nome vem de um verso de Paulo Leminski: “Tudo dança hospedado numa casa em mudança.” A frase não é apenas título. É manifesto. A casa se transforma sem perder o que a sustenta.
Com 100m² integralmente construídos dentro da Bienal, o projeto se ancora na memória das residências paranaenses dos anos 1950, marcadas pela clareza formal, pela integração com a paisagem e por uma elegância contida. O diálogo é com Vilanova Artigas e Lolô Cornelsen, mas o olhar é decididamente para o presente.
BAB – Bienal de Arquitetra Brasieira, Espaço Paraná por Borscardin Corsi Arquiettos. Foto: Felipe Petrovsky.
Paredes de tijolos pintados de branco, pisos em concreto e madeira, estrutura aparente. E uma varanda de concreto pigmentado em vermelho que evoca a terra fértil do Paraná, criando uma passagem calorosa entre interior e exterior.
Sobre essa base, materiais escolhidos pela durabilidade e pela relação com o território. O inox na cozinha embutida chega com precisão e densidade. Mármores reaproveitados de jazidas paranaenses ganham forma em peças autorais. Uma divisória em Mármore Branco da Michelangelo atua ao mesmo tempo como elemento arquitetônico e escultórico.
A arte entra com a mesma precisão. No lavabo, as paredes externas em azul marinho anunciam um gesto mais gráfico: no interior, a intervenção de azulejos assinada por Lenzi Jr, inspirada na obra de Poty Lazzarotto, introduz cor de forma elegante e enraizada. O banco Toinoinoin, de Jaime Lerner, completa o conjunto. Memória afetiva em forma de design, puro Paraná.
BAB – Bienal de Arquitetra Brasieira, Espaço Paraná por Borscardin Corsi Arquiettos. Foto: Felipe Petrovsky.
As cortinas, com nome e endereço certo, são assinadas pela Uniflex Gabriel. Em um projeto onde cada escolha é curadoria, elas chegam com a leveza e a precisão que o ambiente pede. Presença discreta. Resultado inconfundível.
“Nossa intenção foi revisitar uma arquitetura muito presente no imaginário paranaense sem tratá-la como memória estática. A casa muda com o tempo, mas segue capaz de acolher, reunir e refletir a vida de quem passa por ela”, explicam Ana Carolina Boscardin e Edgard Corsi.”
Paraná inteiro em 100 metros quadrados.




