A engenharia por trás do Il Carpaccio
A engenharia
por trás do
Il Carpaccio.
No coração do Itaim Bibi, em São Paulo, existe um restaurante onde uma das decisões arquitetônicas mais importantes está justamente acima de nossas cabeças.
O Il Carpaccio, projeto do FJ55 Arquitetos, propõe uma interpretação contemporânea da atmosfera dos antigos palácios italianos. Arcos, tijolos aparentes, vegetação abundante e grandes aberturas constroem um espaço que parece existir em algum lugar entre salão e pátio.
Mas havia uma questão fundamental para que essa arquitetura pudesse existir:
como criar a sensação de estar ao ar livre sem deixar o restaurante à mercê do clima?
A resposta exigiu arquitetura, engenharia e movimento.
Um restaurante pensado como um pátio italiano
Assinado pelos arquitetos Felipe e Jordan Perez, do FJ55 Arquitetos, o Il Carpaccio ocupa um terreno irregular em “L”, cercado por edifícios de diferentes alturas em uma região intensamente urbanizada de São Paulo.
Il Carpaccio São Paulo, FJ55 Arquitetos. Foto: André Mortatti.
O projeto encontrou sua identidade justamente nesse contexto.
Inspirada na arquitetura tradicional dos palácios italianos dos séculos XVI a XVIII, a construção recupera elementos como os grandes arcos, os tijolos, os jardins internos e a ideia do pátio como lugar de encontro.
No salão principal, com pé-direito de aproximadamente cinco metros, a vegetação se mistura à arquitetura. Oliveiras, superfícies naturais, madeira, pedra, aço e tijolos constroem uma atmosfera que não pretende reproduzir literalmente a Itália, mas reinterpretá-la.
E é justamente no encontro entre interior e exterior que surge um dos elementos fundamentais do projeto.
Il Carpaccio São Paulo, FJ55 Arquitetos. Foto: André Mortatti..
Uma cobertura que precisava desaparecer
Uma cobertura convencional resolveria a chuva.
Mas criaria outro problema: transformaria o pátio em um ambiente permanentemente fechado.
Para preservar a intenção arquitetônica, era necessário desenvolver uma solução capaz de desempenhar dois papéis aparentemente contraditórios.
Proteger quando necessário. Desaparecer quando possível.
Foi nesse ponto que a Uniflex Gabriel passou a integrar o projeto.
Para o Il Carpaccio foi utilizada uma solução baseada no sistema retrátil ISLA, da Uniflex Outdoor, criando uma grande cobertura motorizada em tecido capaz de acompanhar diferentes condições climáticas e diferentes momentos de uso do restaurante.
Mais do que instalar um produto, o desafio foi integrar um sistema móvel de grandes dimensões a uma arquitetura já extremamente marcada por proporções, eixos, arcos, vegetação, iluminação e materiais.
Aproximadamente 250 m² de cobertura em movimento
O projeto recebeu aproximadamente 250 m² de cobertura motorizada retrátil.
Em uma escala como essa, falar em toldo significa falar também em engenharia.
Estrutura, dimensionamento, tensão dos tecidos, escoamento de água, motorização, encontros entre módulos e integração com a arquitetura precisam funcionar como partes de um único sistema.
Quando aberta, a cobertura permite que luz natural e céu façam parte do salão.
Quando fechada, cria proteção contra chuva e incidência solar, preservando a operação do restaurante e o conforto dos clientes.
Essa transformação acontece sem alterar a essência do espaço.
E talvez esteja justamente aí uma das qualidades mais interessantes do projeto.
A tecnologia existe, mas não precisa disputar atenção com a arquitetura.
Arquitetura também pode ser movimento
Estamos acostumados a imaginar edifícios como estruturas essencialmente estáticas.
Paredes permanecem.
Pilares permanecem.
Coberturas permanecem.
Mas sistemas retráteis introduzem uma variável diferente no projeto: o movimento.
A arquitetura passa a responder ao sol, à chuva, à temperatura e ao momento do dia.
Em uma tarde agradável de São Paulo, o restaurante pode se aproximar da experiência de um pátio aberto.
Se o clima muda, o mesmo espaço pode ser protegido.
Não existem dois restaurantes.
Existe uma arquitetura capaz de assumir diferentes configurações.
Engenharia a serviço da experiência
Projetos como o Il Carpaccio ajudam a explicar uma maneira de pensar que sempre esteve presente no trabalho da Uniflex Gabriel.
Proteção solar não precisa ser um elemento acrescentado depois que a arquitetura está pronta.
Quando especificada e desenvolvida desde uma perspectiva arquitetônica, ela pode participar da própria concepção do espaço.
Isso exige diálogo entre arquitetos, fornecedores, instaladores e equipes técnicas.
Exige compreender não somente qual produto instalar, mas o que aquele produto precisa fazer pela arquitetura.
No Il Carpaccio, a cobertura precisava proteger aproximadamente 250 m².
Mas precisava fazer algo além disso.
Precisava preservar o céu.
Entre proteger e abrir
Talvez seja essa a melhor maneira de compreender o projeto.
O sistema ISLA não foi utilizado simplesmente para criar um teto.
Foi utilizado para permitir que o teto pudesse deixar de existir.
É uma diferença pequena nas palavras e enorme na arquitetura.
Porque conforto não significa necessariamente separar as pessoas do ambiente externo.
Às vezes, significa desenvolver a engenharia necessária para aproximá-las dele.
No Il Carpaccio, arquitetura e tecnologia se encontram justamente nesse intervalo:
entre sombra e luz, proteção e abertura, interior e exterior.
Um espaço que muda com o dia.
Uma cobertura que se movimenta com a arquitetura.
E uma solução de engenharia que quase desaparece para que a experiência permaneça.
Projeto: Restaurante Il Carpaccio
Localização: Itaim Bibi — São Paulo, SP
Arquitetura e interiores: FJ55 Arquitetos
Arquitetos responsáveis: Felipe Castilho Perez e Jordan Castilho Perez
Área construída: 500 m²
Ano: 2024
Cobertura retrátil: Uniflex Gabriel / Uniflex Outdoor
Sistema: ISLA
Área aproximada de cobertura: 250 m²
Fotografia do projeto: André Mortatti




